.02Sinopse:
Film Noir será um espectáculo de teatro construído a partir de um género específico de cinema: o
film noir. Este tipo de cinema norte-americano esteve em voga nos anos pós-guerra e as suas características são definidas de forma pouco fechada. É exactamente por se tratar de um género muitas vezes chamado de “género que nunca foi”, que se torna num objecto curioso para ser tratado em palco. Para o teatro será então trazido esse aspecto dúbio e indeterminado.
O cinema vai ao teatro.
Serão tidos como base de trabalho a importância fotográfica, a predominância de personagens masculinas (geralmente um homem só, polícia, detective ou jornalista) e o poder das personagens femininas (as inconfundíveis femmes fatales), o confronto bem/mal, as narrações em off, os diálogos inteligentes, os estilosos vestidos e chapéus, o fumar, os flashbacks, os temas (crime, adultério, roubos), e tudo o que contribui para a tentativa de explicação de um estilo. Esse material será tratado como material teatral, alvo de experimentação fora do cinema e testada num palco. O resultado será o choque da adaptação e o uso da prevalência plástica, usada neste projecto como meio predominante de comunicação em detrimento das palavras. Uma história nova nascerá em palco e será contada por imagens cinematográficas em cena, com textos intrigantes. Em palco o que iremos fazer consiste em criar três personagens baseadas em diversas mulheres dos filmes referidos. Algo abstracto que integre a sua complexidade.
Num cenário escuro como a fotografia dos filmes e iluminado de sombras e nevoeiros, iremos assistir a uma série de quadros que imitam vagamente cenas de filmes e os tiques das personagens. Lentamente cairemos cada vez mais fundo na psicologia destas três mulheres, descobrindo o lado negro das suas vidas. A opção por um all-female-cast reforçará uma direcção mais subversiva ao expor as mulheres como figuras de poder aos quais os homens não conseguem resistir.
Quem são estas mulheres? De quem são estas vozes no escuro? Que segredos escondem?
(Como referência usaremos os filmes Laura, Chinatown, The Big Heat, Double Indemnity, Gilda, Sunset Boulevard. )
Objectivos artísticos:
No percurso de André Murraças, Film Noir surge como um aprofundamento de uma estética onde o lado visual é mais cuidado e tratado como uma linha de comunicação. Em espectáculos anteriores como As Peças Amorosas ou As Palavras São o Meu Negócio, o lado plástico foi sempre mais explorado, inclusive como forma dramatúrgica. Neste actual projecto isso surge como forma natural de progressão e como desejo de cultivar um universo igualmente recorrente: o cinema.
Mas também é um espectáculo que lhe dará a oportunidade de criar textos inéditos para três vozes femininas e ao estilo cinematográfico.
Neste momento, interessa ao criador envolver-se num projecto que reforce todas estas suas polivalências. Neste Film Noir será possível trabalhar num texto original, numa cenografia sua – afinal, a sua base de formação, e dirigir três ilustres actrizes num projecto diferente dos seus normais labores. Por fim, será a continuação de um trabalho com a associação Metamorfose, com quem mantém uma relação fiel desde o início dos percursos artísticos de ambos.
Ficha Artística:
Encenação, texto, cenografia e figurinos: André Murraças
Elenco: Anabela Brígida, Maria João Falcão e Sofia Correia
Produção: Joaquim René e Mafalda Santos para a Metamorfose Total